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Cortadores de cana que protestaram contra a falta de condições de trabalho agora estão sem emprego, sem dinheiro para compra de comida, nem para voltar para os estados de origem.
Os cortadores saíram de seus Estados, a maioria do Norte e Nordeste, com a ilusão de que a vida no interior de São Paulo seria mais fácil. Chegaram à região em janeiro e logo foram contratados por uma usina da cidade de Onda Verde para trabalhar no corte da cana. Eles reclamaram das condições de trabalho, do salário baixo, da falta de equipamentos de proteção obrigatórios por lei e acabaram sendo demitidos.
“Eu estou com a minha esposa e três crianças pequenas. Falta remédio. Não tenho crédito na farmácia. Pago R$ 200 de aluguel e R$ 50 de água e luz. Estou ganhando R$ 400. Não sobra para comer”, reclamou Gedeon Ferreira, trabalhador rural.
Os 32 cortadores de cana que ficaram sem trabalho em plena safra não receberam os direitos trabalhistas. Enquanto isso, continuam vivendo em condições sub-humanas. No cômodo de nove metros quadrados moram três pessoas que dormem de qualquer jeito, no colchão no chão; são obrigadas a dividir o mesmo banheiro com outros 20 trabalhadores.
Em todas as casas a situação é a mesma. No fogão, as panelas estão vazias. Os 40 cortadores de cana, que foram demitid
os do trabalho, perderam também o crédito no comércio. O supermercado, por exemplo, não vende mais.“A geladeira está vazia. Não tem nada. Não tem carne nem verdura. Não tem nada. Tem um peixinho que eu pesquei para comer. Se não for assim, a gente morre de fome”, disse José Ivanildo Pereira, trabalhador rural.
José Arthur Lopes, gerente administrativo da Usina Vale, em Onda Verde, informou que os direitos trabalhistas não foram pagos porque as rescisões ainda precisam ser homologadas, o que deve ocorrer nos próximos dias. Segundo a Pastoral do Migrante, só para a safra deste ano, quarenta mil trabalhadores deixaram o Nordeste em busca de emprego nos canaviais da região de São José do Rio Preto, em São Paulo.
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